Desincentivo aos Transportes Públicos - 4

Desculpem a insistência, mas tenho mais detalhes sobre a aberrante falta de incentivos ao uso dos transportes públicos.

Eu normalmente não uso veículos motorizados para percorrer apenas 1900 metros. Mas agora ando com muletas, por isso faço uma parte do percurso de autocarro quando vou à fisioterapia.

Agora já faço os primeiros 700 metros a pé, para não ter que apanhar dois autocarros diferentes, gastando dois bilhetes. Estou usando os pré-comprados dos TST; cada troço da viagem fica por 0,90€.

Mas se quiser fazer os 1900 metros daqui até ao Fogueteiro de autocarro, gasto 1,80€ para cada lado, com os pré-comprados. Para gastar o mesmo com um carro a gasóleo este teria que consumir 105 litros aos 100! Com há carros que gastam uns cinco, isto significa que o autocarro (com bilhetes pré-comprados) sai umas 20 vezes mais caro que um automóvel a gasóleo.

E se eu for só uma única vez, por exemplo a uma consulta? Não quero gastar 9,00€ num conjunto de bilhetes pré-comprados. Então, compro os bilhetes no autocarro, que para este percurso custam 1,90€ cada viagem; como tenho que apanhar dois autocarros, são 3,80€ para cada lado, ou 7,60€ na ida-e-volta (3800 metros no total). Para gastar o mesmo com um carro a gasóleo este teria que consumir 222 litros aos 100! Isto significa que o bilhete comprado no autocarro fica quase 45 vezes mais caro que um automóvel moderno a gasóleo.

Por outras palavras, com o que gasto em bilhete de bordo com a ida-e-volta ao Fogueteiro em autocarro (3800 metros) poderia chegar pelo menos a Ourique num carro normal. Com o gasto de duas pessoas dava para passar do Porto ou chegar quase às portas de Sevilha.

Ainda por outras palavras: se eu precisar ir da Cruz de Pau ao Fogueteiro acompanhado por alguém é mais barato ir de táxi do que de autocarro.

Vejam também Desincentivo aos Transportes Públicos: -1-, -2-, -3-.

21.Jul.2009

3 comments:

Bruno Figueiredo said...

Só uma achega: o Grupo Barraqueiro lentamente comprou praticamente tudo o que é transporte rodoviário em Portugal. Mas nestes casos o Governo nem chiou com as obvias desvantagens monopolistas que isto apresenta. O Grupo Barraqueiro tem a rede de expressos, a Eva, praticamente todas as rodoviarias de Lisboa e arredores, etc..

pclaro said...

Gostei da comparação com o consumo automóvel. No entanto, penso que para a comparação estar devidamente correcta dever-se-ia contabilizar os custos de adquirir um automóvel. Não que defenda o seu uso, aliás sou grande adepto da utilização de transportes públicos.

António Manuel Dias said...

pclaro, acho que a aquisição de automóvel não é um factor importante na comparação, uma vez que para quem já não o possui a escolha entre andar de transporte público ou privado não faz sentido.

Assim, para quem isto faz sentido, é realmente mais económico usar o seu próprio meio de locomoção do que o público, para este tipo de trajectos ocasionais. Aliás, mesmo comparando com um trajecto diário, em que é possível a aquisição de um passe social, este deixa de ser vantajoso na maioria dos casos assim que se consegue partilhar a viatura por duas ou mais pessoas.